| Rock’n’Roll Atualmente, poucas pessoas sabem que quando a canção “Rock Around the Clock” de Bill Haley and The Comets foi lançada, causou tumultos. Jovens que a ouviram pela primeira vez na trilha sonora do filme “The Blackboard Jungle” rasgaram seus assentos nos cinemas, jogaram garrafas de refrigerante nas telas e saíram às ruas chutando janelas e virando carros antes mesmo que acabasse o primeiro refrão. Por meses os subúrbios ficaram cheios de adolescentes rondando, eletrificados com emoções sentidas pela primeira vez em gerações, sabendo que tinham que fazer algo – ninguém sabia o quê – ou então parecia que explodiriam. Como Jerry Rubin escreveu em seu famoso manual terrorista, Do It!, jovens mulheres que nunca tiveram um orgasmo antes o descobriram em números recordes no despertar de concertos por cachorros de corrida corporativos como Elvis Presley – parecia que as corporações finalmente haviam criado um produto que poderia minar seu próprio poder. Mas os fãs de rock’n’roll nunca desenvolveram uma análise do que é que a música lhe dava uma amostra, e conseqüentemente não foram capazes, como um grupo, de passar da porta desta liberdade selvagem, primitiva, que esse gostinho prometia. Quando as primeiras bandas de rock’n’roll mostraram que as regras não-ditas da música predominante não eram nada além de ilusões, isso os fez sentir que todas regras e leis poderiam ser meras ilusões, que tudo era possível; mas como não agiram imediatamente sobre este sentimento empolgante abolindo todas as divisões que tornam a hierarquia e o capitalismo possíveis no Ocidente, acabaram sendo reintegrados dentro do sistema existente como os produtores e consumidores de uma nova série de produtos desencarnados – a parafernália da “juventude rebelde”. Como eles não desafiaram a distinção entre artista e sociedade e a divisão do trabalho e dos recursos nos quais ela se baseia, foram facilmente divididos e conquistados: alguns se tornaram artistas, canalizando sua ânsias revolucionárias na criação inofensiva de mais (cada vez menos desafiadora) música – com a permissão das gravadoras que controlam o acesso aos meios de produção musical, é claro – enquanto o resto foi forçado a permanecer como consumidores, muito ocupados ganhando dinheiro (que agora eles não precisavam apenas para sobrevivência, mas também para comprar discos) para participar, exceto como espectadores, neste desgaste de energias revolucionárias. Até hoje, músicos de rock ainda buscam reencenar o velho ritual de libertação através da transgressão, com eventuais sucessos nos círculos mais alternativos; mas parece claro que, a menos que isto possa se tornar parte da completa transformação da vida, em vez de uma distração da vida, só vai servir para manter o atual sistema de miséria funcionando. |
Carolina Wolf: Carolina Wolves, #1
Há 7 anos

























