segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Rock’n’Roll

Atualmente, poucas pessoas sabem que quando a canção “Rock Around the Clock” de Bill Haley and The Comets foi lançada, causou tumultos. Jovens que a ouviram pela primeira vez na trilha sonora do filme “The Blackboard Jungle” rasgaram seus assentos nos cinemas, jogaram garrafas de refrigerante nas telas e saíram às ruas chutando janelas e virando carros antes mesmo que acabasse o primeiro refrão. Por meses os subúrbios ficaram cheios de adolescentes rondando, eletrificados com emoções sentidas pela primeira vez em gerações, sabendo que tinham que fazer algo – ninguém sabia o quê – ou então parecia que explodiriam. Como Jerry Rubin escreveu em seu famoso manual terrorista, Do It!, jovens mulheres que nunca tiveram um orgasmo antes o descobriram em números recordes no despertar de concertos por cachorros de corrida corporativos como Elvis Presley – parecia que as corporações finalmente haviam criado um produto que poderia minar seu próprio poder.

Mas os fãs de rock’n’roll nunca desenvolveram uma análise do que é que a música lhe dava uma amostra, e conseqüentemente não foram capazes, como um grupo, de passar da porta desta liberdade selvagem, primitiva, que esse gostinho prometia. Quando as primeiras bandas de rock’n’roll mostraram que as regras não-ditas da música predominante não eram nada além de ilusões, isso os fez sentir que todas regras e leis poderiam ser meras ilusões, que tudo era possível; mas como não agiram imediatamente sobre este sentimento empolgante abolindo todas as divisões que tornam a hierarquia e o capitalismo possíveis no Ocidente, acabaram sendo reintegrados dentro do sistema existente como os produtores e consumidores de uma nova série de produtos desencarnados – a parafernália da “juventude rebelde”. Como eles não desafiaram a distinção entre artista e sociedade e a divisão do trabalho e dos recursos nos quais ela se baseia, foram facilmente divididos e conquistados: alguns se tornaram artistas, canalizando sua ânsias revolucionárias na criação inofensiva de mais (cada vez menos desafiadora) música – com a permissão das gravadoras que controlam o acesso aos meios de produção musical, é claro – enquanto o resto foi forçado a permanecer como consumidores, muito ocupados ganhando dinheiro (que agora eles não precisavam apenas para sobrevivência, mas também para comprar discos) para participar, exceto como espectadores, neste desgaste de energias revolucionárias.

Até hoje, músicos de rock ainda buscam reencenar o velho ritual de libertação através da transgressão, com eventuais sucessos nos círculos mais alternativos; mas parece claro que, a menos que isto possa se tornar parte da completa transformação da vida, em vez de uma distração da vida, só vai servir para manter o atual sistema de miséria funcionando.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ensaio do Céu Limpo

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Good night 'n Good luck.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pastel

Síndrome de Bar aos poucos retorna.
Confira vídeo no youtube
http://www.youtube.com/watch?v=_QgubJHa8H8

quarta-feira, 16 de junho de 2010

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Poema nos meus 43 anos - Bukowski

Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida —
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.

... de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi...

e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

domingo, 2 de maio de 2010

E Você Vai Continuar Fazendo Música?!


Um agiota espera na porta da tua casa.
Você vai continuar fazendo música?




Todas as gravadoras estão de portas fechadas.
Você vai continuar fazendo música??



Até os alternativos debandam pro outro lado.
Você vai continuar fazendo música?


A esperança não existe, a esperança é o caralho.
Você vai continuar fazendo música?

Nunca ganhou dinheiro, muito pelo contrário.
Você vai continuar fazendo música?

O teu futuro é negro, disso eu tenho a certeza.
E você vai continuar fazendo música?


Tenta uma outra coisa, um curso de informática.
Você vai continuar fazendo música?


Velhos e criancinhas, todos te acham maluco.


A tua vida se afunda, por isso é que eu te pergunto:


Você vai continuar fazendo música?


Não!




Continuaremos fazendo barulho!



Mas vão continuar fazendo música?



Letra Rogério Skaylab
Fotos Krishna Chiminazzo Predebon

sábado, 1 de maio de 2010

sábado, 24 de abril de 2010

SEI LÁ...SATANÁS (ou qualquer coisa que desperte um desejo que nos controla e nos liberta)

Ela
É das ruas
Das Esquinas
É dos becos
Sem saída...Da vida
E o meu álcool é sua saliva

Seus
Passos eu
Sigo
Como um cão
Abandonado...Ao próprio azar
E é só me dizer quem devo matar

Vamos lá!
Me leve para onde não temos razão
Vamos lá!
Me salve...Pela Perdição

Ela
É dos bares
Da estrada
E a cidade
Não dorme...Se ela não quer
O submundo faz o que ela quiser

Pelos
Seus passos
Me sinto
Libertado
Pro diabo...Que me carregue
E seja qual for o preço eu pago

Vamos lá!
Me leve para onde não temos razão
Vamos lá!
Me salve...Pela Perdição

quinta-feira, 15 de abril de 2010

"Concert on the Roof - I"


O que foi aquilo, afinal?


Por um momento o mundo entrou em suspensão.
De alguma forma todos entenderam que nada
mais seria igual a antes. Tampouco diferente.

Então aconteceu.

Ficou conhecido como
"Concert on the Roof - I".

Algo apossou-se dos corpos.

Os corpos apossaram-se do mundo.

A multidão atordoada nada entendia.
Mas sentia-se bem, muito bem.

Tudo estava exatamente onde deveria estar.

Disputavam em brilho com os astros.

Os astros inevitavelmente se renderiam. Cedo ou tarde.

Foi...

...e acabou. Como tudo o mais.